Retratos
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Retratos
De seguida vamos fazer referência a uma série de actividades, eventos,tradições. Algumas delas remontam a séculos anteriores, mas todas elas marcaram as gentes de Valezim, na sua forma de viver, de encarar as dificuldades e de celebrar a alegria.
A Pastoricia
Deverá ser esta uma das actividades mais
antigas dos habitantes da serra. O rigor do clima obrigava a que se
encontrassem formas de protecção contra o frio. Inicialmente as peles e
posteriormente a lã forneciam a matéria prima indispensável. O clima, a a
vegetação e as ovelhas 'inventaram' o magnifico queijo da serra. Durante o
Verão as ovelhas eram agrupadas em enormes rebanhos e subiam à serra
na busca de novos pastos. De Inverno quando a neve cobria os pastos desciam aos
terrenos próximos da vila, chegando mesmo a deslocar-se para a Beira Baixa.
A Industria
Com a lã das ovelhas e com o abundante cultivo do linho estava disponível a matéria prima para o fabrico de tecidos. Os teares familiares eram muitos sendo esta actividade a ocupação de parte significativa da população. Eram eleitos pela Câmara da Vila de Valezim dois fintadores ou cobradores de imposto sobre os panos produzidos (siza). No arquivo Municipal existe um livro "Livro de Varejos e Panos da Vila de Valezim" onde foram registados os impostos entre 1819 e 1834. Em 1819 existiam 11 fabricantes, fizeram 29 panos e 1/4 "fintados" a 200 reis perfazem um total de 5850 reis de inpostos pagos de acordo com a "concordata da Câmara"
Havia muitos mercadores de panos de vara (saragoças e bureis) e rapidamente apareceram investidores. Podemos ver na imagem o que foi em tempos uma importante fábrica de tecido 'O Engenho', tendo como força motriz a energia hidráulica. Na porta principal é indicada a data de 1866.
O Pão
O centeio era semeado em plena serra na 'terra de ninguém'. Cada família marcava a sua parcela onde fazia a sementeira. Depois da ceifa era carregado às costas ou por animais para ser malhado nas eiras. Na imagem podemos ver essa actividade numa fase em que a malha com mangual foi substituída pelas máquinas.
O milho constituía a principal cultura de Valezim sendo-lhe reservado os melhores terrenos. Na imagem é possível verificar a quantidade de milho que no Verão cercava Valezim.
Depois de debulhado e seco ainda havia que moer os grãos e cozer o genuíno e saboroso pão de centeio e broa de milho. Os fornos eram comunitários, administrados pelos forneiros e os serviços pagos com a produção, ou seja, a moeda era o pão. Os últimos fornos foram: o do Cabo, do Sr. João Corveira agora convertido em turismo de habitação, o forno da Faia, e o forno do Sr. Isac perto do São João.
Os moinhos também eram muitos e ainda restam alguns em funcionamento como sejam os dois do Sr José Figueiredo e os dois do Sr José Maria. Há não muitos anos ainda existia um colado ao lagar e mais para jusante da ribeira existiam ainda os moinhos do Sr Afonso de Albuquerque. Todos eles funcionavam movidos a água num total de 14 mós a funcionar dia e noite. Mais uma vez não havia dinheiro para pagar a moagem ficando o moleiro com uma maquia pelo trabalho
As Gentes
As pessoas eram originais, iguais a elas próprias. A labuta do dia a dia embriagava-os e buscavam nas coisas simples o conforto para o árduo trabalho dos campos. Eram orgulhosos daquilo que tinham e não buscavam falsas felicidades, vejam a alegria das crianças com as suas 'Nike'. Na fotografia vemos um grupo de homens onde não faltava o acordeão, o bombo e a flauta.
As famílias eram por norma numerosas, havia necessidade de mão de obra para as terras e contraceptivos não existiam. A televisão e as filas de trânsito não roubavam tempo à família, e o rigor do Inverno juntava-os em volta da lareira, cenário ideal para o saber passar de pais para filhos.
Nesta imagem podemos ver um grupo de catequistas e zeladoras com o Sr. Padre Lourenço. Estas ultimas mantinham gratuitamente os locais de culto com o asseio que merecem. Ainda hoje assim é.
As Casas
As casas eram construídas em granito com telhados em telha de barro e divisórias em madeira. Os animais viviam nas lojas por baixo da habitação, o que em conjunto com as lareiras ajudava a manter a temperatura no Inverno.
A Vila
No tempo em que o milho era rei, foi editada uma série de postais que ilustra a nossa terra na década de 50.
A Escola
A escola no tempo do Sr. Professor Arnaldo e da Sra. D. Luzia. O tempo era sempre pouco, pois para as crianças a avidez de informação era muita, e tinham ainda de dividir o seu tempo entre os trabalhos do campo e a escola. Mesmo assim ainda havia as atividades extra curriculares que normalmente resultavam em récitas.
A Iniciativa
Só a iniciativa de alguns, a boa vontade de todos e um entendimento claro do que significa o bem comum, permitia efectuar obras como o alargamento da rua principal, com a consequente demolição e reconstrução de inúmeras habitações. Hoje com o egoísmo a servir cada vez mais de refugio às dificuldades do dia a dia, tudo isto pareceria impossível. Aquando do 25 de Abril, Valezim era a única freguesia do concelho de Seia com rede de água canalizada, electricidade e esgotos a chegar a todas as casas.
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As Minas
Com a segunda grande guerra, toda a máquina de morte tinha que ser alimentada e o volfrâmio e o estanho eram abundantes nas terras dos sírios. Foram local de trabalho para muita gente e fonte de doenças pulmonares para parte dos trabalhadores num trabalho de escavar a terra pela força dos braços. Destas ultimas hoje apenas restam ruínas.
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Os Viveiros
Aqui eram semeadas arvores e arbustos com que foi reflorestada grande parte da serra. Criadas num clima em tudo semelhante ao que iriam suportar após a replantação, seria este o local ideal para tal tarefa, mas o cultivo em velgas e o difícil acesso das máquinas levou os responsáveis a optarem por outros locais. Decisões contestáveis, não invalidam no entanto de elegermos este local como óptimo para reconverter num parque. Felizmente tudo parece estar bem encaminhado nesse sentido.
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A Fé de um povo...
Em Valezim a religião fazia parte do dia-a-dia. Desde as orações para todas as horas do dia e todos os motivos (de manhã, ao deitar ao passar em frente cemitério, amassar do pão, etc.), até todas as construções com caris religioso que remontam ao século XIII, cimentam uma relação entre o terreno e o divino incapaz de se dissociar. Havia muitas devoções e celebrações: Nossa Sra. do Rosário como Padroeira, Santo António, São João, São Sebastião, Sra. da Saúde, Sra da Boa Viagem e muitos outros. Havia várias celebrações na época dos Santos nas Capelas de São João e São Domingos e pelo Natal e Quaresma.
oje em dia pouco resta mas ainda há pouco tempo duas festas religiosas marcavam o ano:
A Festa de São Sebastião era para as gentes da terra. Inicialmente realizava-se em Janeiro, mas optaram por mudar a data para Maio fugindo assim ao frio e á chuva, o que por ironia nem sempre acontecia. No entanto o espirito feudal das hierarquias da Igreja Diocesana, criaram condições para que a sua realização fosse interrompida, não sendo retomada até hoje.
As Festas de Nossa Sra da Saúde realizam-se desde finais do século passado. Inicialmente celebrava-se no dia 8 de Setembro, dia das 7 Senhoras: Sra. dos Remédios em Lamego; Sra. da Saúde em Valezim; Sra. do Monte Alto em Arganil; Sra. do Castelo em Mangualde; Sra. do Desterro; Sra. dos Espinheiros e Senhora da Graça. Na imagem podemos ver um postal de 1903. Na página seguinte a mesma capela em duas fotos separadas no tempo por mais de 50 anos
Como ao santuário acorriam cada vez mais peregrinos era necessário criar condições para os receber. Terão eventualmente, sido estas as últimas grandes obras efectuadas em Valezim apenas com a boa vontade das pessoas, que ofereciam o seu trabalho sempre que o bem estar da população e o bem da comunidade estavam em causa
Actualmente as festas realizam-se no primeiro domingo de Setembro e atraem inúmeras pessoas, sendo já o recinto pequeno para acolher tanta gente. As festas têm ainda uma componente profana com a realização de arraiais e bailes para a diversão de todos quantos durante os três dias da festa se deslocam a Valezim.
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O Comércio
O pequeno comércio proporcionava tudo o que para a época era essencial. A "Loja Nova" que para era considerado um autêntico centro comercial, com todos os produtos para a casa, era ainda Agência Bancária e Posto dos Correios. As tabernas chamadas "Vendas" vendiam de tudo um pouco e eram também ponto de reunião para os homens, após um dia de trabalho árduo no campo.
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O Desporto
Além dos jogos tradicionais como o jogo do mocho, saltivão, cabra cega, escondidas, arco, caricas, e muitos outros, o acesso a outras modalidades era difícil, até aparecer o futebol, onde bastava ter pés e uma bola manufacturada de um qualquer material.
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O Desporto
Além dos jogos tradicionais como o jogo do mocho, saltivão, cabra cega, escondidas, arco, caricas, e muitos outros, o acesso a outras modalidades era difícil, até aparecer o futebol, onde bastava ter pés e uma bola manufacturada de um qualquer material.
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A Serra
A Serra apesar de agreste e por vezes traiçoeira, não deixava de fascinar as gentes de Valezim. Independentemente das possibilidades de cada família ela sempre foi um local de passeio e lazer.
